Wednesday, April 27, 2016

Aumentam as vendas de destilados de luxo

O mercado de bebidas de luxo cresce no Brasil, em especial no segmento de destilados. O crescimento, mesmo em uma economia em recessão, deve-se a um conjunto de fatores: apreciadores tradicionais desse tipo de bebida reduziram o número de viagens ao exterior e passaram a comprar no país; a demanda no interior de São Paulo e no Centro-Oeste, onde o agronegócio vai bem, está aquecida; e o público que frequenta bares e restaurantes está mais disposto a experimentar drinques feitos com vodca, rum e gim.
A Diageo, maior fabricante de destilados do mundo e dona de marcas como Johnnie Walker, Tanqueray, Cîroc e Zacapa, está sendo beneficiada por esse movimento. Cecilia Gurgel, diretora da Diageo Reserve (área que engloba o portfólio de luxo da companhia), disse que as linhas de luxo têm crescido dois dígitos por ano, superando a média do mercado.
No Brasil, as vendas da Diageo cresceram 12% no segundo semestre de 2015 (que correspondeu ao primeiro semestre do ano fiscal 2016 da companhia). A consultoria International Wine and Spirit Research (IWSR) estima que o mercado de bebidas de luxo no país tenha crescido de 9% a 10% no ano passado.
"O mercado de luxo teve um crescimento mais forte no último ano. A receita de vendas dessas linhas cresceu 200% nos últimos 12 meses", diz Cecilia. De acordo com a companhia, no acumulado de 12 meses (maio de 2015 a abril deste ano), as vendas do uísque Johnnie Walker Gold Label, classificado na categoria de superluxo, cresceram 41% em receita e ficaram estáveis em volume. No caso da vodca superpremium, com destaque para a marca francesa Cîroc, as vendas aumentaram 21% em volume e 77% em valor. As vendas do gim de alto valor agregado - incluindo a marca Tanqueray - aumentaram 61% em volume e 98% em valor.
Na categoria luxo, a Diageo inclui bebidas destiladas como uísque, vodca, gim e rum, com preços que variam de R$ 130 a R$ 20 mil por garrafa. Segundo Cecilia, as vendas crescem também porque a empresa expandiu a distribuição dessas marcas no país e promoveu as bebidas em restaurantes, bares e festas. Desde o ano passado, segundo Cecília, a Diageo tem intensificado esforços para ampliar as vendas de bebidas de luxo fora do eixo Rio-São Paulo.
"Existe uma demanda aquecida no interior de São Paulo e no Centro-Oeste do país, por conta do agronegócio, e crescimento na região Nordeste", diz a executiva. Segundo a Diageo, as vendas cresceram 156% em volume na região que compreende Bauru, Marília, Presidente Prudente e Piracicaba, interior de São Paulo. No Distrito Federal, as vendas do uísque de alto luxo aumentaram 150%.
Cecilia observa que consumidores de bebidas de luxo reduziram o número de viagens ao exterior e esse fator também contribuiu para o aumento do consumo no país. Cecilia disse ainda que o consumo de vodca, gim e rum também cresce no país pois há mais consumidores experimentando drinques à base desses destilados.
A IWSR estima que o mercado total de destilados no Brasil vai apresentar uma queda média anual de 1,3% no volume de vendas até 2020, com perdas mais significativas em cachaça (queda de 2,1% ao ano), rum (2,1%) e brandy (2%). E prevê crescimento anual para as categorias de tequila (com alta de 5,3% ao ano), gim (4,3%), vodca (3,1%) e uísque (1%).
A executiva diz que a Diageo vai reforçar ações de marketing neste ano para manter o ritmo de crescimento de dois dígitos nas vendas de destilados de luxo. De acordo com Cecilia, o Brasil está entre os dez maiores mercados desse tipo de bebida para a Diageo, e ainda tem forte potencial de expansão. Enquanto o mercado de luxo representa 6% das vendas da Diageo na América Latina, no Brasil, essa fatia é de 3%.
Em relação a preços, a executiva informa que a Diageo reajustou as linhas de destilados de luxo no último ano, mas abaixo da variação cambial - todas as marcas são importadas. Cecilia disse que a empresa tem buscado equilibrar os custos de importados reduzindo custos de produção de outras linhas como a vodca Smirnoff e a cachaça Ypióca.
No primeiro semestre fiscal de 2016 (encerrado em dezembro do ano passado), a Diageo teve lucro de 1,41 bilhão de libras esterlinas (US$ 2 bilhões), alta de 7% em relação a igual intervalo um ano antes. A receita líquida caiu 5%, para 5,61 bilhões de libras esterlinas, por conta da variação cambial.
As vendas no Brasil cresceram 12% nesse período. A companhia não divulga receita por país. Na região América Latina e Caribe, as vendas líquidas subiram 9%. A receita na região somou 522 milhões de libras esterlinas (US$ 747,1 milhões), com destaque para as vendas de vodca, que cresceram 22% graças à performance da categoria no Brasil e México.
A empresa também destacou o desempenho no Brasil das vendas de uísque, que aumentaram 9% na América Latina com vendas fortes das marcas Johnnie Walker Red Label, Black&White e White Horse no México e no Brasil. No mercado do Paraguai, Uruguai e Brasil, as vendas líquidas do portfólio de luxo da Diageo cresceram 14%, impulsionadas pela marca Cîroc e investimentos em marketing.
Em relação ao segmento de cachaça, a companhia informou que, apesar da queda no mercado como um todo, as vendas da Ypióca aumentaram 4% em receita.
A Euromonitor International estima que o mercado total de destilados (incluindo cachaça) movimentou 1,08 bilhão de litros em 2014. A líder no mercado brasileiro em 2014 era a Cia. Muller de Bebidas, dona da Cachaça 51, com 16,8% de participação. Em seguida estão a Indústrias Reunidas de Bebidas Tatuzinho (dona das cachaças Tatuzinho e Velho Barreiro), com 9,5%, e a Diageo, com 9,4%.
Valor Econômico
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