sexta-feira, 24 de fevereiro, 2017

Nestlé tem a menor expansão em 20 anos

O crescimento das vendas da Nestlé não teve uma queda tão íngreme quanto a das montanhas que cercam a sede do grupo suíço em Genebra. Mas, ainda assim, a desaceleração do ano passado foi de tirar o fôlego - especialmente para Mark Schneider, seu novo CEO. A maior companhia de alimentos e bebidas do mundo obteve um crescimento orgânico de apenas 3,2% em 2016, o menor em pelo menos duas décadas.
Em grande parte resultado da deflação e da fraqueza das economias globais, a grande e inesperada desaceleração mostra o desafio que o novo comandante da Nestlé enfrentará para reorganizar uma companhia enorme que produz de alimentos para bebês à café em cápsula e chocolates.
Schneider diz que o crescimento orgânico do ano passado esteve na ponta mais alta do setor, mas "falando sem rodeios, ele foi menor que o esperado". O lucro antes dos impostos também foi mais fraco que o esperado, em 12,5 bilhões de francos suíços contra 11,8 bilhões de francos em 2015.
A desaceleração é importante porque o "modelo Nestlé" há muito depende de um forte crescimento das vendas e da alavancagem do tamanho do grupo. Mas ficou difícil sustentar esse modelo numa era de deflação e turbulências econômicas, e também com os consumidores trocando alimentos processados por opções mais saudáveis.
Mesmo assim, o alemão Schneider mostrou-se inflexível ontem, em sua primeira aparição pública desde que assumiu o cargo, na posição de que o crescimento orgânico será o parâmetro pelo qual seu mandato será julgado. "O crescimento orgânico faz muitas coisas boas para uma companhia."
A história da companhia mostra que "cedo ou tarde, os caras que ampliaram persistentemente o negócio saíram-se bem", disse ele. "Os caras que seguiram o modelo dos cortes, cedo ou tarde tiveram que ir embora", acrescentou Schneider, citando o exemplo da companhia farmacêutica Valeant.
Para este ano, a Nestlé espera um crescimento orgânico de algo entre 2% e 4%, que Schneider vê como "prudente", dada a volatilidade macroeconômica global e "um cenário que de certa forma ainda é deflacionário".
No longo prazo, sua meta é "um crescimento orgânico na faixa intermediária de um dígito" até 2020, que é mais ou menos a reafirmação da aspiração histórica da Nestlé de crescimento anual das vendas de 5% a 6%.
Ao mesmo tempo, a Nestlé quer obter ganhos de eficiência para melhorar a lucratividade e espera ter custos de reestruturação de 500 milhões de francos este ano, em comparação aos 300 milhões de francos de 2016.
A cautela de Schneider pelo menos tranquiliza os investidores, afirma Celine Pannuti, analista do JP Morgan. "Se você trabalha com a eficiência operacional e o crescimento, e quando o momento é apropriado você faz uma grande aquisição, essa parece ser uma estratégia sensata."
Schneider disse que uma atenção especial será dada ao mercado global de café - que oferece um crescimento acelerado e demanda em alta por produtos "premium" como o sistema de café Nespresso da Nestlé. Em termos globais, a Nestlé domina esse mercado, mas ela é fraca nos Estados Unidos e enfrenta a concorrência acirrada da JAB, o grupo de investimentos da bilionária família Reimann, que já investiu US$ 30 bilhões nos últimos anos na criação de um império do café. O produto responde por quase um quinto das receitas da Nestlé.
Em uma perspectiva mais ampla, Schneider espera aumentar o "perfil médico" dos produtos da Nestlé, ampliando os negócios com produtos de cuidados com a pele e sua nascente divisão de "ciência da saúde", que vem deixando o grupo suíço mais perto de se tornar uma companhia farmacêutica. "Esta é a era dos cuidados com a saúde ditados pelo consumidor. As pessoas acham que precisam se responsabilizar pela própria saúde", disse ele.
Mas Schneider rebateu as alegações de que a companhia poderá mudar para o setor farmacêutico. A Nestlé "não sabe muita coisa sobre o combate ao câncer... Somos essencialmente uma companhia de produtos de consumo". Além disso, seu próprio tamanho - as vendas no ano passado somaram quase 90 bilhões de francos suíços - significa que "mesmo que eu comprasse a maior companhia farmacêutica do mundo, comparado aos nossos negócios com bebidas e alimentos eu ainda não seria uma companhia farmacêutica".
Schneider supervisionou uma onda de aquisições em seu último emprego, na Fresenius, que encorajou entre os analistas as especulações de que ele iria fazer a mesma coisa na Nestlé. Ontem, porém, ele disse que o momento não é bom para grandes aquisições, embora negócios menores sejam possíveis. "Acho que os preços estão muito altos", acrescentou.
Mercado do Cacau - 23/02/2017
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