segunda-feira, 09 de outubro, 2017

Refrigerantes devem apresentar nova retração nas vendas

O mercado brasileiro de refrigerantes, que já encolheu 6,1% em 2016, vai fechar este ano com uma queda de 4,6%, baixando para 11,5 bilhões de litros. A estimativa faz parte de um estudo elaborado pela empresa de pesquisas Mintel.
Em valores, as vendas cresceram 2,9% no ano passado, para R$ 43 bilhões. Neste ano, a previsão é de uma alta de 4,4% para R$ 45 bilhões. Esse aumento é explicado por reajustes nos preços das bebidas, acompanhando a inflação do setor de alimentos e bebidas.
A Mintel projeta quedas consecutivas no consumo de refrigerantes, de 5% a 6% ao ano até 2021, chegando ao fim do período com venda anual de 9 bilhões de litros. Em receita, a previsão é de aumentos anuais de 2,7% e 3,7%, acompanhando a inflação, chegando a R$ 51 bilhões em 2021.
A categoria de refrigerantes respondia por 56% do mercado de bebidas não alcoólicas em 2010, mas vem perdendo espaço ano a ano para outras bebidas, principalmente águas, chás prontos para beber, néctares e sucos prontos, de acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas não Alcoólicas (Abir). Em 2016, a participação de refrigerantes no setor de não alcoólicos foi de 42% e tende a encolher nos próximos anos.
De acordo com a Mintel, mesmo com a queda do setor, as líderes de mercado mantiveram sua participação estável em 2016: a Coca-Cola liderou com uma fatia de 68% em valor e de 60,4% em volume; seguida pela Ambev, com 20,1% do mercado em valor e 18,4% em volume. A Heineken, com o Viva Schin, teve 3,2% de participação em valor e 5% em volume.
Segundo dados da Mintel, o mercado de refrigerantes perde espaço para outras bebidas não alcoólicas com apelo mais saudável, como sucos, água de coco e chás. Também ganham espaço as bebidas mistas, como sucos misturados com chás ou água de coco.
A Mintel ouviu 1,5 mil brasileiros, com idades de 16 a 65 anos, de todas as classes sociais e regiões do país, sobre seus hábitos de consumo em não alcoólicos. Mesmo em queda, os refrigerantes ainda foram consumidos nos últimos seis meses por 89% dos consumidores que têm crianças em casa e por 85% dos consumidores sem crianças em seus lares.
De acordo com a Mintel, a maioria dos refrigerantes têm como foco o público infanto-juvenil, mas há oportunidades para estimular o consumo entre adultos. Um exemplo são os sucos de uva gaseificados como vinhos espumantes sem álcool, já vendidos fora do País. O estudo também mostrou que 61% dos consumidores que continuam tomando refrigerantes também estão tomando outros tipos de bebidas gaseificadas - como água saborizada com gás, água tônica e suco com gás. E 46% estão tomando refrigerante dietético, ou com baixas calorias.
Entre os consumidores ouvidos pela Mintel que declararam ter reduzido o consumo de refrigerantes nos últimos seis meses, 44% informaram que uma das razões era a preocupação com o efeito na saúde dos adoçantes artificiais. Para 36%, os refrigerantes têm açúcar em excesso. O terceiro motivo citado foi que refrigerantes são muito artificiais (na visão de 28% dos entrevistados). E 11% reclamaram que a bebida tem muito gás.
As indústrias já respondem a parte dessas preocupações. No ano passado, 26,7% dos lançamentos de refrigerantes no Brasil já tinham o apelo sem calorias ou com redução de calorias. No período de outubro de 2016 a setembro de 2017, esse índice subiu para 36,6%.
Também começaram a surgir, a partir de 2016, iniciativas de pequenos fabricantes para oferecer refrigerantes com algum aspecto funcional. A Mintel cita como exemplos o refrigerante Pitchula (do Grupo Imperial), enriquecido com vitaminas B1, B3, B6, C, magnésio e zinco; e o refrigerante Gloops (da Gloops), que contém 83% de suco e é adoçado com açúcar contido nas frutas.
As maiores rivais também têm investido em sucos. A Coca-Cola comprou em junho de 2016 a marca de bebidas de soja Ades, da Unilever, como parte da estratégia de aumentar a oferta de produtos saudáveis. A Ambev comprou a Do Bem, de sucos e chás, em abril de 2016, com o mesmo objetivo. As fabricantes investem ainda na substituição do açúcar nos refrigerantes por suco de fruta e estévia.
A pesquisa da Mintel revelou ainda que 27% dos consumidores de refrigerantes têm interesse em tomar versões dessa bebida com água de coco - como as vendidas fora do Brasil. Entre os entrevistados, 21% têm interesse em refrigerantes com sabores de ervas, plantas e raízes, como gengibre e hortelã. Refrigerantes com benefícios funcionais foram citados por 34% dos consumidores. E 32% dos entrevistados disseram que estão abertos a novidades.
A Mintel sugere que a adoção de embalagens menores e ações de degustação em supermercados podem ajudar a estimular a experimentação de novos sabores.
Supermercado Moderno - 05/10/2017
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