segunda-feira, 11 de janeiro, 2021

Novos hábitos vão direcionar o setor HPPC

A pandemia da Covid-19 levou as pessoas para dentro do lar, estabelecendo novos hábitos de consumo, criando um consumidor mais consciente. E, dessa maneira, é possível que esse consumidor permaneça em casa mesmo com o término da crise. Essa é a visão de Andréa Bó, diretora de marketing da Nivea Brasil.
“Por isso, a indústria brasileira já está se reinventando e especialmente a de cosméticos deve continuar investindo em pesquisas para trazer produtos que colaborem com a manutenção de cuidados de higiene e beleza dentro de casa”, diz.
A executiva concorda que o e-commerce é cada vez mais relevante. “Já estávamos em uma jornada de nos organizar internamente do ponto de vista de estrutura, reunir uma equipe especializada e concluímos que a pandemia acelerou esse processo não só para a Nivea, mas para muitas empresas”, afirma.
Andréa conta que antes do novo coronavírus, o e-commerce era responsável por até 3% do volume de vendas da empresa e hoje houve um crescimento gigantesco, “de triplo dígito”.
A diretora ressalta que, sem opção, as pessoas recorreram à internet para fazer as suas compras. “Agora, na Nivea, estamos trabalhando para melhorar a experiência do consumidor nessa jornada digital, não só na venda do e-commerce propriamente dita, como também melhoramos a nossa presença de marca, trazendo experiências mais completas e robustas e com mais conteúdo”.
- Mudança de comportamento
Entendendo que a pandemia duraria certo tempo, o cenário (de consumo) passou por uma transição e as pessoas começaram a se preocupar mais com o bem-estar e a autoestima, segundo explica Andréa.
“Nos últimos meses, por exemplo, sentimos a retomada do interesse pela categoria facial, assim como a corporal. Esses itens agora são entendidos e consumidos como formas de carinho e conforto e estão indo muito bem”, afirma.
De acordo com a executiva da Nivea, as pessoas, especialmente as mulheres, têm necessidade de fazer uma pausa na rotina agitada e ter um momento para si: seja para passar um hidratante no corpo, no rosto ou tomar um banho quente mais longo.
“Entendemos que estamos em um processo de mudança que deve ser acompanhado pelas marcas, com o cuidado necessário, já que os consumidores estão ensaiando mudanças de hábitos e preferências, com compras mais planejadas, por exemplo”.
- Desejo do consumidor
Andréa explica ainda que mais do que nunca, os consumidores estão buscando por marcas que tenham propósitos claros e reais. A executiva destaca que a Nivea vai continuar exercitando a sua essência, “que é o cuidado com a pele e com as pessoas”, oferecendo produtos de alta qualidade, inovadores e que acompanham as diversas necessidades dos consumidores.
“Queremos cada vez mais oferecer opções que promovem uma experiência completa. E, apesar de todos os desafios, estamos otimistas”, diz a diretora. Ela conta também que a empresa ampliou recentemente a sua fábrica de aerossol em Itatiba (SP), mais que dobrando a capacidade de produção.
“Expandimos para novos mercados – Norte, em 2020, e Nordeste, região na qual a marca já atuava, mas onde, a partir de 2019, reforçamos a presença com um trabalho mais direcionado. Estamos com ótimos resultados e queremos seguir crescendo nessas regiões e em todo o Brasil”, completa.
O momento atual é de observar e agir. “Claro que estamos vivendo um momento difícil, nunca passamos por nada parecido antes, então estamos estudando constantemente o mercado, pesquisando como anda o consumidor e os novos hábitos de consumo – as informações variam a cada semana – e tentando entender como será o consumo daqui para frente. O que sabemos é que certamente não será como antes”, alerta.
- Além do consumo
Claro que não é só o comportamento do consumidor que direcionará o mercado e facilitará ou não o alcance ao sucesso no setor de HPPC. Diversos outros fatores estão em jogo, como a economia do País e as peculiaridades do próprio segmento. Douglas Vocci, diretor da importadora e distribuidora de especialidades Focus Química, exemplifica bem.
Segundo o executivo, alguns fatores serão importantes para fortalecer a recuperação do mercado cosmético no Brasil já neste ano. “Manutenção de estoques segundo as programações, bem como estoques de segurança”, exemplifica. “Normalmente, mantemos no mínimo três meses de estoque segundo o histórico de compras dos clientes habituais”, completa.
Vocci também destaca outros pontos que na visão dele serão bastante relevantes: “Continuar oferecendo serviços de marketing técnico aos clientes e a manter a busca de insumos cosméticos que encantem o mercado, assim como manter forte e atuante nossos pontos de contatos com os clientes, comercial e técnico”.
- Recuperação acelerada
O diretor da Focus conta que a empresa foi impactada duramente no início da pandemia, porém sobreviveu bem graças à sua política financeira responsável e sustentável. “Além disso, sabíamos que quando o mercado precisasse de insumos estaríamos prontos para atender às demandas”, diz.
Vocci afirma que a distribuidora recuperou as perdas e, no final de 2020, estava superando todas as suas metas para o ano: vendas, aumento do quadro de colaboradores e expansão da estrutura física, entre outras. “Mas o desgaste físico e emocional foi forte. Acredito que um diferencial importante foi um dos motores da empresa: trabalhamos com paixão pelos nossos negócios”, afirma.
Para este ano, a Focus deve contar com bastante novidades, por meio de seus projetos de vegetalização, clean beauty, inovações em ativos dermatológicos, fórmulas minimalistas, porém com eficientes, e sensorial. “Além da nossa atuação fortíssima com produtos para proteção solar e sempre com destaques em coloração, capilar e maquiagem”, finaliza o diretor.
- Driblando a crise
Devido ao distanciamento social, as empresas tiveram de reinventar formas de aproximação, como fornecedor, distribuidor e fabricante. Tiveram de encontrar formas para driblar o problema do cancelamento de eventos presenciais, por exemplo. Um caso de sucesso vem da Nanovetores.
“Somos ágeis e dinâmicos, desenvolvemos estratégias para levar até nossos clientes as novidades e lançamentos através de webinars no Brasil e em parceria com nossos distribuidores em vários países”, conta dra. Betina Giehl Zanetti Ramos, presidente da empresa.
Dessa forma, dra. Betina explica, a empresa se manteve próxima, fortalecendo network, e disponível para ajudar seus clientes a inovar. “Nosso segmento é ávido por inovação e os processos convencionais de desenvolvimento foram bastante prejudicamos em função da pandemia”, afirma e executiva.
Para dra. Betina, as parcerias sólidas mais do que nunca serão fundamentais neste ano que começa. “Clientes e fornecedores precisam estar alinhados e trabalhando de forma colaborativa para sentir o mercado, os desafios e as oportunidades que estão por vir e numa formatação que beneficie a todos buscarem a recuperação do setor”, diz.
- Otimismo
O exemplo do que aconteceu na Nanovetores mostra que há motivos para enaltecer o otimismo no setor e no País. Dra. Betina conta que a pandemia retardou o crescimento da empresa em torno de seis meses, mas houve recuperação.
“Até agosto de 2020, percebemos o mercado bastante retraído, mas a partir de setembro percebemos nitidamente a retomada do ritmo de crescimento nos negócios. Em setembro, tivemos o maior faturamento de nossa história, seguindo os demais meses, até dezembro, com excelentes perspectivas”.
Para 2021, a Nanovetores também vem cheia de novidades. “O nosso know-how é gerar inovação de forma sustentável pautada em eficácia através do uso da nanotecnologia. Com nossos ativos, conseguimos reduzir doses – conceito do menos é mais – e entregar os resultados de forma rápida”, explica dra. Betina.
Produtos com ação antisséptica de fonte natural também estão entre os lançamentos, com a versatilidade de proteger a pessoa ao mesmo tempo que tratam e embelezam. A executiva ainda destaca o foco em multifuncionalidade, que traz o conceito do minimalismo e da consciência de consumo, que passa a ser critério de opção de compra de vários consumidores.
Na opinião de dra. Betina, outro aspecto que pode beneficiar as empresas do setor no Brasil é dispor de produtos de qualidade para competir com os importados, que “se tornaram demasiadamente caros e foram adquiridos em menor quantidade devido à redução das viagens internacionais em decorrência da pandemia”. “O consumidor acostumado a usar produtos importados está experimentando produtos nacionais e deve ser surpreendido satisfatoriamente para ser fidelizado ao produto nacional”, diz.
- Exportações
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), a balança comercial do setor de HPPC registrou superávit de US$ 11,1 milhões de janeiro a outubro de 2020, enquanto o mesmo período de 2019 o resultado foi deficitário de US$ 111,9 milhões.
As exportações somaram US$ 499,8 milhões, um crescimento de 0,8% em relação ao mesmo período de 2019. Em importações, o resultado foi de US$ 488,6 milhões, registrando uma relevante queda de 19,6% no período.
“Após 10 anos com uma balança comercial deficitária, o setor de HPPC alcançou este saldo positivo no acumulado. Grande parte deste resultado é reflexo da alta do dólar e da quarentena imposta pelo coronavírus, que representaram redução na importação, explica João Carlos Basilio, presidente-executivo da associação.
Na análise de outubro 2020, em comparação com o mesmo mês em 2019, o setor de HPPC apresentou um aumento nas exportações de 2,3%, alcançando US$ 55,4 milhões, e queda nas importações de 26,5%, totalizando US$ 46,8 milhões.
Dados do Ministério da Economia mostram que os top cinco principais países de destino para exportação do setor são Argentina, México, Chile, Colômbia e Paraguai.
Produtos para cabelos e sabonetes foram os itens mais exportados em outubro de 2020, com alta de 11,8% (US$ 12,4 milhões) e 25% (US$ 12 milhões), respectivamente, na comparação com o mesmo período de 2019.
- Importados
Já os itens mais importados, onde constam bens considerados de alto valor agregado, a importação foi de US$ 10,7 milhões em cremes para pele, protetores solares e bronzeadores (queda de 9%); US$ 8 milhões em fragrâncias (queda de 6,6%) e US$ 6,2 milhões em produtos de higiene oral (queda de 31,5%), também em outubro.
Um dos desafios da Abihpec em 2020 foi a busca por facilitação de comércio com vistas a redução de entraves para o setor de HPPC nos processos de importação e exportação. “Com a diminuição de burocracia nos processos de comércio exterior, é possível alcançar um melhor ambiente de negócios e um mercado mais competitivo”, afirma Basilio.
- Beautycare Brazil
Parceria entre a Abihpec e a Apex-Brasil, Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, o Beautycare Brazil consolidou os resultados conquistados até setembro de 2020. As 137 empresas apoiadas pelo projeto exportaram US$ 110 milhões no acumulado de janeiro a setembro de 2020 para 111 países, um crescimento de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Beautycare Brazil é um projeto setorial de fomento à internacionalização. Seu objetivo é alavancar o crescimento das exportações de produtos e serviços que envolvem toda a cadeia de valor do setor de HPPC. Com participantes de toda a cadeia de valor e correlatos do setor HPPC, destaca-se a representatividade das empresas de ingredientes, que corresponde a 72,7% do total das exportações, seguido de produtos acabados 16,4%, embalagens 9,7% e acessórios 1,2%.
Além disso, as empresas participantes do projeto seguem ampliando sua atuação, apresentando crescimento em números de exportação para quase todos os continentes.
Houve um aumento expressivo das exportações para a África, que cresceu 90% de janeiro a setembro de 2020 em comparação ao mesmo período do ano anterior. As exportações para Europa, América do Norte e América do Sul também tiveram alta, com crescimento de 36%, 26% e 25%, respectivamente.
“A cadeia de valor do setor HPPC é muito forte e impulsiona os negócios do nosso setor no Brasil e no mundo. Os produtos de HPPC brasileiros são reconhecidos globalmente como inovadores em diversas categorias, especialmente pela qualidade e inovação, sendo o uso de ativos provenientes da biodiversidade brasileira, um grande diferencial para fomento dos nossos negócios”, diz Basilio.
ABIHPEC - 08/01/2021
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