quinta-feira, 19 de maio, 2016

JBS International pode ser catalisador para acordo entre Tyson e BRF

O anúncio da criação da JBS Foods International pode ser o “catalisador” para um acordo entre a Tyson Foods, maior companhia de carnes dos EUA, e a brasileira BRF, avaliou hoje o banco Brasil Plural. Na semana passada, o revelou que executivos da Tyson visitaram fábricas da BRF no Brasil. A aproximação ocorre no momento em que a Tyson decidiu voltar a investir no exterior, potencialmente nas áreas de frango e de alimentos processados. O interesse da Tyson na BRF, inclusive, seria a justificativa para a alteração da cláusula de ‘poison pill’ da empresa brasileira, conforme uma fonte próxima à BRF disse ao Valor.
Também na semana passada, a JBS propôs uma reorganização societária a partir da transferência de ativos responsáveis de cerca de 80% de suas receitas para uma nova companhia (JBS Foods International) sediada na Irlanda; e com ações listadas na bolsa de Nova York (NYSE).
Na avaliação do analista Thiago Kapulskis, do Brasil Plural, o movimento da JBS pode ser o “gatilho” para a Tyson prosseguir de forma “proativa” nas tratativas com a BRF. Um dos motivos para isso é que, listada na bolsa de Nova York, a JBS passaria a competir pelos mesmos investidores que a Tyson, que está listada na mesma bolsa.
Em meio a uma disputa que promete ser “cabeça-a-cabeça”; pela liderança; global; do setor — a JBS é a maior empresa de carnes do planeta; —, a BRF poderia ser a “peça” que falta para completar o parque fabril da Tyson no mundo, conforme o Brasil Plural.
“As sinergias entre BRF e Tyson parecem fortes”, apontou o analista do banco, no relatório. Para o Brasil Plural, as duas empresas se;;; complementam do ponto de vista geográfico e não teriam “sobreposições” de atuação. Para a Tyson, a BRF daria acesso ao Oriente Médio e à Europa. Nessas regiões, lembra o banco, a BRF fez aquisições na; área de distribuição de alimentos nos últimos anos.
Além disso, as marcas da BRF no América Latina (no Brasil, a empresa é a dona das duas marcas líderes, Sadia e Perdigão) poderiam adicionar valor à Tyson, avalia o Brasil Plural.
Mas isso não é tudo. De acordo com o analista do banco, a BRF pode aumentar a rentabilidade da Tyson, tendo em vista que a empresa brasileira tem margens melhores e; maior retorno sobre o capital investido (ROIC, na sigla em inglês) do que a empresa americana. Nesse sentido, a Tyson poderia obter melhor retorno com o investimento na BRF do que em outros projetos internos.
Para o Brasil Plural, o atual do ciclo de baixa do setor de carne de frango no Brasil — com cotações elevadas do milho, preços baixos da carne de frango na exportação e recessão no país — pode ser positivo para a Tyson investir, na medida em que a aquisição poderia ser mais barata do que seria no ciclo de alta.
Financeiramente, o banco avalia que a Tyson tem condição de adquirir uma participação que a permita “controlar” a BRF — uma fatia próxima de 33,33%, gatilho que dispara a nova ‘poison pill’ da BRF. Comprar 100% da BRF,; no entanto, seria mais “desafiador”, dado o nível de endividamento que a Tyson alcançaria nessa situação.
“Nossos cálculos indicam que é desafiador para a Tyson adquirir 100% da BRF porque ela teria que adicionar a dívida líquida da empresa, mas seria mais fácil digerir uma fatia controladora”, considera o Brasil Plural. Pelas projeções do banco, o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) subiria de 1,74 vezes para 2,83 vezes se a Tyson comprasse uma fatia de 33,3% das ações da BRF, pagando um prêmio de 50% pelos papéis. Se comprasse 100% das ações, o índice de alavancagem da empresa americana saltaria para 5 vezes.
Para os atuais acionistas da BRF, avaliou o Brasil Plural, o melhor cenário seria a aquisição de 100% das ações pela Tyson. No caso de a empresa americana deter apenas a participação “controladora”, existe a chance de conflitos de interesse.
Por outro lado, acrescentou o banco, ter uma fatia “controladora” na BRF poderia ser positivo, se isso significasse a redução total ou parcial da que pressão que os fundos de pensão podem exercer sobre o preços das ações da empresa brasileira.
Na visão do Brasil Plural, os fundos de pensão precisam vender ações da BRF por “motivos de liquidez”. Atualmente, Petros e Previ tem cerca de 10% das ações BRF cada um. O fundo de private equity Tarpon também possui uma fatia; semelhante.
Fonte: Valor Economico - 18/05/2016
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