segunda-feira, 16 de junho, 2014

Multinacionais elevam preços nos emergentes

Companhias de produtos de consumo como Unilever, Procter & Gamble e outras anunciam aumento de preço de suas marcas em mercados emergentes, para compensar a inflação e o impacto do câmbio em seus negócios.
A anglo-holandesa Unilever registrou queda de 6,3% no faturamento no primeiro trimestre, e diz que a desvalorização em alguns países, como no caso do peso na Argentina e do rublo na Rússia, reduziu o valor de suas vendas. Seu diretor financeiro, Jean Marc Huet, confirmou que esse impacto vai ser parcialmente compensado com alta de preços em emergentes, onde, segundo ele, consumidores continuam dispostos a comprar produtos mais caros em categorias como detergentes e sorvetes.
Unilever produz sorvetes da marca Kibon, sabonetes Dove e Lux, caldos Knorr e a maionese Hellmann's, entre outros, e a desvalorização das moedas nos mercados em que atua foi responsável por redução de 8,9 pontos percentuais na variação da receita entre janeiro e março.
Também Procter & Gamble, que reduziu sua projeção de aumento dos ganhos de 5% para 3% neste ano, revelou a intenção de aumentar preços nos países onde a moeda aumentou significativamente em relação ao dólar americano ou que tem registrado inflação alta.
Nestlé, Danone e outras companhias estão igualmente aumentando os preços, para compensar essa situação de inflação alta e impacto cambial em seus resultados', diz Jon Cox, analista de Kepler Capital Markets, em Zurique.
A líder mundial de alimentos Nestlé começou o ano com vendas em queda de 5,1%. O crescimento orgânico de 4,2% foi composto de 2,6% de expansão interno e 1,6% de aumento de preço. No ano passado, o cambio teve impacto negativo de 3,7% no faturamento total do grupo suíço, e afetou a margem de lucro em 20 pontos base, segundo o CEO Paul Bulcke.
A inflação média nos emergentes aumentou para 4,7% ao ano em março, comparado a 4,3% no mês anterior, segundo a consultoria Capital Economics, de Londres. Mas o nível de preços no mundo emergente ainda é baixo comparado com a média da década anterior.
A inflação é baixa nos emergentes da Asia, no Oriente Médio, na África e nos emergentes da Europa. Mas está alta e continua aumentando na América Latina.
Companhias multinacionais não escondem a inquietação tambem com o controle de preços adotado pela Venezuela e Argentina.
Valor Econômico - 16/06/2014
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