segunda-feira, 25 de fevereiro, 2013

Abilio Diniz é indicado para chairman da BRF

A epopéia de Abilio Diniz à caminho da presidência do conselho da BRF começa finalmente a se concretizar. O empresário foi indicado ontem pela Tarpon e Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, à presidência do conselho de administração da indústria de alimentos, durante reunião extraordinária do conselho da BRF. O objetivo da reunião foi votar a chapa da nova composição do conselho, que ganhou dois novos nomes: Diniz, em substituição a Nildemar Secches, atual presidente, e Sérgio Rosa (ex-Previ), indicado no lugar de Heloísa Helena Silva de Oliveira, como vice-presidente do conselho da BRF.
A chapa foi aprovada e vai à votação em assembleia no dia 9 de abril. Porém, com ressalvas. Previ e Tarpon são juntamente com a Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, os maiores acionistas da companhia com, respectivamente, 12,19%, 8,02% e 10,12% de participação. E a Petros não apoia o nome de Diniz para o cargo, apesar de, tradicionalmente, o fundo se posicionar em consonância com a Previ.
“Os votos do representante da Petros, Luís Carlos Fernandes Afonso, e do membro independente, Décio da Silva, foram favoráveis à composição da chapa, exceto em relação à indicação para a presidência do conselho de administração”, informou a Petros em comunicado.
Segundo executivos que acompanharam a reunião, a Petros não é contra a presença da Diniz no conselho, mas não aceita a imposição de seu nome para presidência. O motivo seria “conflito de interesse”, uma vez que Diniz também é presidente do conselho de administração do Grupo Pão de Açúcar, um dos principais clientes da empresa. A Petros “avalia que o prazo para a decisão sobre quem presidirá o colegiado não precisaria ser hoje (21), o que abre espaço para a busca do consenso”, informou em nota.
O empresário Abilio Diniz afirmou em comunicado que “sente-se honrado com sua indicação para a presidência do conselho da BRF” e agradece a confianca dos acionistas.
De acordo com outro executivo que participou da reunião, a posição da Petros é incoerente “eles aceitam que Abilio Diniz seja titular do time, mas não capitão ?” A defesa da dobradinha “Diniz-Rosa” é que, juntos, eles vão ajudar a empresa a entrar em uma nova fase. “Estamos olhando a capacidade dos novos integrantes de ajudar a companhia em seu novo ciclo de crescimento, com o lançamento de novos produtos e expansão internacional”, afirmou o executivo. “Diniz é minoritário na BRF, tem cerca de 2%, e também não é mais o dono do Pão de Açúcar, logo não há conflito”, acrescentou.
Casino
O sócio francês de Diniz no Pão de Açúcar, Jean-Charles Naouri, certamente discorda. Fonte próxima ao empresário afirma que ele mantém a mesma posição que tem defendido nas reuniões de conselho do Pão de Açúcar: “caso Diniz vá para a BRF, ele deve renunciar”.
Marcelo Fernandez Trindade, ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e representante legal do Casino, afirmou na reunião realizada nesta quarta-feira (20), que “em alguns produtos e setores, a BRF é um fornecedor dominante” no Pão de Açúcar, além de ser também fornecedorar dos principais concorrentes do grupo. “Os interesses comerciais da BRF são necessariamente conflitantes e contrapostos com os da CBD (Grupo Pão de Açúcar). Mas não é só. Os produtos da BRF também competem com os produtos das marcas próprias da CBD e as decisões estratégicas sobre o desenvolvimento desses produtos são fundamentais para a CBD”, disse.
Além da Petros, o Casino tem outro apoio e não está sozinho nesta oposição. Ontem a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) enviou ofício ao presidente da Previ, Dan Conrado, manifestando preocupação com os rumores de que o fundo estaria apoiando a indicação do empresário Abílio Diniz para a BRF. “A Contraf-CUT vê conflito de interesses na indicação (...). A possibilidade de concretizar a indicação nos obriga a questionar: a melhor maneira de defender os interesses dos associados da Previ, um dos maiores acionistas da Brasil Foods, é indicar para o a gestão da empresa um relevante acionista do maior comprador de seus produtos?”, indaga o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, no ofício.
A entrada de Abilio Diniz na BRF tem como pano de fundo o interesse do empresário em diversificar seus investimentos, uma vez que ele vem perdendo poder no Pão de Açúcar.
Brasil Econômico
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