quarta-feira, 08 de abril, 2020

Páscoa contaminada: venda de chocolates deve cair até 20% devido à Covid-19

Diante da pandemia do novo coronavírus (Sars-Cov-2), as vendas de chocolates para a Páscoa tendem a cair. De acordo com a projeção da Associação Paulista de Supermercados (APAS), a expectativa é de que as vendas no estado de São Paulo tenham queda de 8,5%. Antes da pandemia afetar o cenário nacional, a projeção era de um aumento de 2,2% em comparação com o mesmo período de 2019. Na capital paulista, a projeção de queda nas vendas de chocolates e ovos de Páscoa é de 10,5%. Em algumas localidades do interior do estado, a expectativa é ainda pior: na região de Campinas, por exemplo, a previsão é de queda de 19,5%. “Até o momento, os empresários relatam pouco ritmo de vendas”, informa a APAS. E a situação não se restringe ao estado de São Paulo, considerado o epicentro do novo coronavírus no Brasil. No Rio de Janeiro, a rede de supermercados Mundial afirmou que comprou 20% menos ovos de Páscoa em 2020, em comparação com o ano passado. De acordo com a APAS, o isolamento social não é o único motivo que faz as vendas de chocolates caírem nessa Páscoa , mas o contexto econômico também tem pesado bastante nessa conta. “Famílias voltaram seus gastos para produtos básicos, higiene e limpeza. Os supermercados, diante da situação, diminuíram suas ilhas e parreiras de chocolate focando seus esforços e abastecimento em itens mais procurados na crise do coronavírus”, informa a associação. De olho na questão econômica, os supermercados Mundial apostaram na venda de tabletes e bombons de chocolate . Apesar do corte na encomenda dos ovos de Páscoa, a rede comprou 15% a mais dos demais chocolates. Pedro Paulo Leite, gerente comercial responsável pelo setor de chocolates do Mundial acredita, inclusive, que o isolamento social deve incentivar o consumo do doce. “A venda de ovos de páscoa cai, muito por conta do preço, já que o cliente faz um comparativo de gramatura. Em relação às vendas, principalmente de tabletes e bombons, elas estão nos surpreendendo positivamente. Por o consumidor ficar em casa, ele acaba consumindo mais. Aliás, quem não gosta de comer um chocolate à tarde?”, comenta o gerente. Do lado da indústria , a produção continua. Embora a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab) não tenha projetado expectativas para a produção de chocolates nesta Páscoa, o órgão afirma que as fábricas associadas “seguem em operação e trabalhando para que seus produtos cheguem às casas dos brasileiros”. Com a produção acontecendo e muitas lojas fechadas , a solução encontrada pela indústria tem sido vender mais aos supermercados. “Com o fechamento de lojas especializadas e varejistas de chocolate, as marcas têm oferecido seus produtos para os supermercados. Alguns fornecedores oferecem descontos de até 15% para poderem vender mais seus estoques, e os supermercadistas têm repassado esse desconto para os consumidores”, informa a APAS. Muitas lojas especializadas em chocolate deixaram de funcionar em todo o país devido às recomendações de fechamento do comércio. Em Belo Horizonte, porém, a situação deu o que falar. No início da semana, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) autorizou o funcionamento das lojas de chocolate localizadas no comércio de rua. De acordo com a entidade, a entrega de alimentos é considerada essencial. “No entendimento da CDL, as lojas que vendem bombons, doces, ovos de Páscoa podem abrir, sim. Elas são lojas de alimentos, então podem estar abertas e podem colocar seus colaboradores para ajudar nas vendas”, declarou Marcelo de Souza e Silva, presidente da CDL/BH. Na manhã desta terça-feira (7), porém, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, publicou um decreto que proíbe a venda de mercadorias dentro das lojas da cidade. “Já assinei o decreto. As lojas de Belo Horizonte, inclusive as de chocolates, só poderão atender da porta pra fora, sem clientes do lado de dentro”, disse o prefeito em sua conta no Twitter. Para driblar a impossibilidade de vender em lojas físicas e a queda nas compras de ovos de Páscoa nos supermercados , algumas marcas têm apostado em outras possibilidades. “As indústrias estão trabalhando em conjunto com os pontos de venda para garantir a organização e disponibilidade dos produtos, além de também estarem fortalecendo seus serviços de atendimento via internet e por delivery como alternativas aos consumidores para o acesso aos produtos”, afirma a Abicab. É o caso da Cacau Show e da Lacta , por exemplo. A Cacau Show, que disse que não tem como prever uma estimativa de vendas e que está “vivendo um dia após o outro”, apostou no e-commerce, no delivery e nos descontos. A empresa fechou todas as lojas devido à pandemia de Covid-19 e, no dia 23 de março, paralisou a indústria e passou a se dedicar apenas à Páscoa. A Cacau Show criou um site para vender os produtos, oferecendo descontos progressivos nos ovos de Páscoa, que podem chegar a 50%, e condições especiais de parcelamento. Além disso, a companhia fez uma parceria com o iFood, que já entrega os produtos da marca em todas as capitais brasileiras. A Lacta também apostou nos aplicativos de entrega, fazendo parcerias com Rappi e Uber Eats. Além disso, a marca também criou um e-commerce próprio com a ajuda da startup de tecnologia Lett. O site encontra a loja mais próxima do consumidor e direciona a entrega dos ovos de Páscoa da Lacta em um curto período de tempo.
IG - 07/04/2020
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