segunda-feira, 16 de junho, 2014

Unilever vai investir R$ 3 bilhões este ano

A anglo-holandesa Unilever, dona das marcas Omo, Dove e Kibon, vai acelerar os investimentos no Brasil este ano, quando pretende inaugurar sua décima fábrica no país. Serão aplicados R$ 1 bilhão em aumento da capacidade produtiva - um acréscimo de cerca de 25% sobre o aporte feito no ano passado, segundo Fernando Fernandez, presidente da filial brasileira. Além disso, outros R$ 2 bilhões serão destinados para a área de marketing. A multinacional é a maior anunciante do país.
"Todo mundo fala em 'pibinho', mas crescemos dois dígitos nos últimos três anos no Brasil independentemente do PIB", afirmou Fernandez ao Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor. A filial brasileira é a segunda maior da Unilever no mundo, só atrás da americana. Em 2013, faturou R$ 15,3 bilhões, 12,5% mais que no ano anterior. Parte do avanço veio de aumento de preços, mas Fernandez afirma que o crescimento em volume também foi expressivo - "de um dígito alto", diz. Para 2014, a expectativa é manter a taxa de crescimento em valor.
Mais do que a expansão geral da economia, os indicadores que são olhados com mais cuidado pela empresa são o nível de emprego e a evolução dos salários das classes C e D. "Mantendo o nível de emprego e o ajuste dos salários em linha com a inflação, não muda muito para gente", diz Fernandez.
Numa avaliação que é compartilhada por outras fabricantes de bens de consumo, o executivo considera que a nova classe média não abrirá mão dos produtos aos quais passou a ter acesso com o aumento de renda, embora possa optar por versões mais baratas. "Temos um portfólio muito abrangente que nos permite gerenciar essa volatilidade", afirma o executivo.
Além disso, Fernandez aposta na expansão do consumo fora dos grandes centros, no que chama de "China brasileira". Ele se refere especialmente a cidades do interior do Nordeste, do Centro-Oeste e de Minas Gerais. "São regiões que crescem três vezes mais que a média nacional", diz. É estratégico, portanto, ter uma distribuição ampla - atributo que ele garante que a Unilever tem. A companhia opera 28 centros de distribuição em 12 Estados e nove fábricas no país.
Sua décima fábrica - um complexo erguido em uma área de 1 milhão de m2 em Aguaí (SP) - deve ficar pronta em outubro. O avanço das obras permitirá o início da operação antes de 2015, primeiro prazo divulgado.
A Unilever não é única a investir fortemente na produção. A rival Procter & Gamble (P&G) informou no mês passado que vai aplicar R$ 1 bilhão até o ano que vem para ampliar sua capacidade fabril. Os dois grupos também estão acelerando lançamentos e aumentando a oferta de produtos mais sofisticados, para aproveitar nichos com potencial de crescimento maior.
Nessa direção, a Unilever colocou nas gôndolas em abril o Omo Tira Manchas. É a entrada da empresa na área de alvejantes sem cloro para roupas. A categoria foi inaugurada no Brasil pela britânica Reckitt Benckiser, com a marca Vanish, no início dos anos 2000. A anglo-holandesa demorou para entrar nesse nicho? Para Fernandez, não. "Tínhamos essa tecnologia há décadas", afirma. "Tem de se respeitar as etapas de maturação do mercado." A Unilever lidera as vendas de produtos de limpeza no Brasil e fechou 2013 com uma fatia de 23,2%, de acordo com dados da consultoria Euromonitor. A Reckitt é a segunda, com 12,8%.
Em higiene e beleza, setor em que é vice-líder, atrás da brasileira Natura, a Unilever está investindo em produtos "premium" das marcas Dove e Axe. Segundo Fernandez, do portfólio total de mil itens de todos os segmentos que a empresa vende no país, 700 terão algum tipo de renovação este ano. "Essa é uma das razões pelas quais nosso investimento em publicidade é muito importante", diz.
Parte desses recursos está sendo usada no Projeto Sunlight, campanha institucional da empresa para incentivar hábitos sustentáveis. Uma nova etapa será iniciada na semana que vem, quando 12 famílias, entre elas a do técnico de vôlei Bernardinho, serão desafiadas a mudar suas atitudes, com acompanhamento em vídeos diários postados na internet.
Em 2010, o grupo divulgou a meta de dobrar de tamanho no mundo até 2020 e cortar pela metade seu impacto ambiental. Desde então, a sustentabilidade é tema de campanhas de mídia e reuniões de negócios. Desde 2008, o grupo economizou € 350 milhões com iniciativas como a redução de embalagens e do uso da água.
Valor Econômico - 15/05/2014
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