sexta-feira, 22 de novembro, 2013

Caramuru capta US$ 220 milhões

A Caramuru Alimentos, uma das maiores processadoras de grãos de capital nacional, fechou a contratação de um financiamento de US$ 220 milhões junto a um grupo de 15 bancos liderado pelo Rabobank, de origem holandesa. Conforme informou a empresa, a operação é um pré-pagamento de exportação com prazo de quitação fixado em quatro anos. As taxas envolvidas não foram reveladas.
Segundo César Borges de Sousa, vice-presidente da Caramuru, os recursos serão usados para reforçar o capital de giro, mas também "darão suporte" a investimentos. O principal projeto em curso é a instalação de uma unidade de esmagamento de soja em Ipameri, Goiás, onde já há uma planta de biodiesel. A empresa também arrendou em 2012, por dez anos, uma unidade de processamento de soja em Sorriso, Mato Grosso, e investiu em melhorias.
Juntos, os dois projetos - que também contam com financiamento do BNDES -, ampliarão em 61% a capacidade de processamento de soja da empresa, para praticamente 2 milhões de toneladas por ano. A Caramuru também conta com unidades de processamento de soja em Itumbiara, onde está sua sede, e em São Simão. Ambos os municípios são situados no Estado de Goiás.
É o terceiro ano seguido em que a companhia recorre a uma operação internacional de captação de recursos junto a grupos de bancos liderados pelo Rabobank para fortalecer seu capital de giro e promover investimentos. Em 2011, o financiamento foi de US$ 140 milhões; no ano passado, de US$ 203 milhões. "Neste ano, houve demanda para US$ 495 milhões, num sinal de que a empresa está bem", disse Sousa ao Valor.
O executivo reconhece, entretanto, que 2013 "não é o melhor ano da empresa". Segundo ele, os problemas logísticos que marcaram o escoamento da produção de grãos da safra 2012/13 no primeiro semestre do ano prejudicaram as operações, bem como a forte alta dos fretes derivada desses problemas. A nova lei dos caminhoneiros também colaborou para encarecer o transporte e a pressionar as margens de lucro da empresa.
Apesar desses entraves, Sousa prevê que o faturamento da Caramuru alcançará R$ 3,3 bilhões em 2013, ante os R$ 3,033 bilhões do ano passado. Ainda não há estimativas para o ano que vem, mas, com as novas unidades de processamento de soja, a companhia espera incrementar sua originação de grãos, com impactos sobre os resultados. Como há sinais de queda dos preços dos grãos em 2014, é difícil saber se o volume adicional compensará ou não as possível baixas.
Em 2013, a Caramuru originou, no total, 2,55 milhões de toneladas de grãos, sobretudo soja e milho - foram 40 mil toneladas de girassol -, mesmo nível de 2012. Também produziu 235 mil toneladas de biodiesel, volume igualmente estável. Cerca de 60% da soja comprada dos produtores este ano foi não transgênica, cujos prêmios sobre o grão modificado, puxados pela demanda de Europa, Japão e Coreia do Sul, alcançaram 10%. Já o milho foi quase todo transgênico.
César Borges de Sousa também destacou que os produtos de consumo final da companhia, como os óleos vegetais (soja, milho e girassol) vendidos basicamente no varejo brasileiro, deverá render receita entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões em 2013. O faturamento total no mercado interno, que inclui os produtos de consumo final, representará mais ou menos a metade do montante total previsto.
Para diversificar suas operações, a Caramuru apresentou um pré-projeto de geração de energia solar ao Plano de Ação Conjunta Inova Energia, que tem o apoio de Finep, BNDES e Aneel. Se for de fato aprovado, os investimentos na empreitada tendem a superar R$ 30 milhões.
Valor Econômico - 20/11/2013
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