Wednesday, September 23, 2015

Megafusão pode beneficiar Molson Coors

A combinação entre a Anheuser-Busch Inbev e a SABMiller criará um mastodonte capaz de abalar o setor e detentor de 50% dos lucros mundiais gerados pela cerveja. Mas, para uma concorrente infinitamente menor, o acordo pode representar uma oportunidade valiosa.
Desde 2008, o grupo americano-canadense Molson Coors é sócio minoritário da MillerCoors, uma joint-venture com a SABMiller responsável pela venda de marcas como Miller Lite, Coors Light e Blue Moon Belgian White.
Segundo a maioria dos analistas, o êxito da oferta da AB Inbev pela SABMiller levantará um número suficiente de questões de natureza concorrencial nos Estados Unidos para exigir a venda da participação de 58% controlada pela SABMiller na MillerCoors.
A compra dessa cota e a obtenção de pleno controle sobre a MillerCoors seria um fator radical de mudança para a Molson Coors, afirmou Robert Ottenstein, diretor do setor de bebidas da empresa de pesquisas Evercore ISI.
A Molson Coors parece a mais bem colocada para levar a cabo um acordo nesse sentido, não apenas devido ao seu atual papel na joint-venture. As condições de seu acordo com a SABMiller lhe dão o direito da primeira e da última recusa sobre a participação de sua parceira, que, segundo os analistas, a AB Inbev vai querer que seja vendida rapidamente para evitar adiar o negócio maior.
"É difícil imaginar qualquer outra [empresa] entrando nisso. Simplesmente não faz sentido", disse Ottenstein aos investidores. "[A AB Inbev] vai querer certeza e [a Molson Coors],obviamente, tem isso em vista há anos. Seu grau de ansiedade será alto."
A AB Inbev ainda não fez uma oferta firme pela SABMiller, o que deixou as avaliações da MillerCoors no ar. Ottenstein estima que a participação de 58% poderá obter cerca de US$ 9,65 bilhões, o equivalente a dez vezes os lucros antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da joint-venture em 2014.
Adam Fleck, analista do setor de bebidas da assessoria em investimentos Morningstar, calcula que a Molson Coors poderia pagar nada menos que US$ 13,5 bilhões, ou 13,5 vezes o Ebitda estimado por ele para 2017. Esse múltiplo ficaria abaixo dos vigentes em outros negócios recentes no setor de cervejas, o que reflete a posição vantajosa do grupo americano-canadense em qualquer negociação, diz ele.
A Molson Coors, cujas ações subiram mais de 20% no período de sete dias desde que se soube do interesse da AB Inbev pela SABMiller, preferiu não comentar.
A transação gigantesca em discussão chama a atenção para um pano de fundo de mudança do gosto do consumidor, num momento em que marcas menores de cervejas artesanais ou locais corroem sistematicamente as participações de mercado das concorrentes maiores e consumidores mais jovens preferem vinho e bebidas destiladas.
As novas pressões exercidas pela desaceleração da demanda nos mercados emergentes contribuíram para a formação de um ambiente que exige cortes de custos e aumento do desempenho.
O controle total da MillerCoors poderá permitir à Molson Coors uma economia de US$ 300 milhões a US$ 500 milhões em custos anuais, estimam analistas. Poderia também reduzir a sobreposição em áreas administrativas, como recursos humanos, finanças e gestão, ao mesmo tempo em que exploraria as vantagens da escala em termos de distribuição e de compras.
A Molson Coors teria de passar por um processo de duas fases para assumir o controle total da empresa. Primeiramente, uma tomada de controle da SABMiller pela AB Inbev validaria o direito da Molson Coors de aumentar sua participação de 42% na MillerCoors para 50% e de indicar o principal executivo da companhia. A Molson Coors poderia então iniciar conversações para assumir o controle dos 50% restantes da MillerCoors, o que lhe daria a primeira e a última oferta por ela.
Embora a tomada de controle pleno da MillerCoors pela Molson Coors possa fazer muito sentido, do ponto de vista estratégico, é provável que considerações de ordem financeira possam pesar na decisão. A agência de classificação de risco Fitch advertiu que uma compra poderá resultar num rebaixamento da marca de sua nota BBB, para "baixo grau de investimento", supondo-se um custo de cerca de US$ 9 bilhões para a transação e dependendo do volume de dívida empregado.
Mas a Fitch também vê as vantagens da realização de um negócio, que qualificou de "oportunidade única" para a empresa, citando a escala insignificante da Molson Coors comparativamente a uma AB Inbev ampliada.
Ottenstein, da Evercore, diz que a Molson Coors já tem o financiamento articulado e que há indícios de que a empresa estaria disposta a abrir mão de seu status de grau de investimento para fazer o negócio.
A MillerCoors responde por aproximadamente 50% do volume total da Molson, mas, se pudesse consolidar toda a empresa em seu benefício, representaria cerca de 70%, segundo estima Fleck, da Morningstar.
A perspectiva de um negócio monumental entre a AB Inbev e a SABMiller desencadeou especulações sobre novas transações no setor, mas a estrutura de controle familiar de algumas das maiores cervejarias frustrou tentativas passadas de consolidação.
Novos negócios "são uma possibilidade, mas não parece haver apetite [para isso] no momento", disse Fleck.
O conselho de administração da Molson Coors é presidido conjuntamente por Geoff Molson e Pete Coors. As duas famílias detêm 16% da empresa. Se elas conseguirem pactuar um negócio pela MillerCoors, a operação poderá ser uma das poucas tomadas de controle a se seguirem à ambiciosa iniciativa da AB Inbev.
Valor Economico
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